Ex-piloto de Epstein colaborou com autoridades em troca de visto

Nadia Marcinko, hoje com 40 anos, manteve uma relação com Jeffrey Epstein e chegou a ser piloto do avião privado do financista. O contacto entre os dois terminou em 2018, altura em que a eslovaca começou a falar com o FBI.
Ex-piloto de Epstein colaborou com autoridades em troca de visto
Aantiga piloto do Lolita Express – avião privado de Jeffrey Epstein – denunciou o magnata norte-americano a agentes federais em troca de ajuda para obter um visto americano, revelam os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Nadia Marcinko, hoje com 40 anos, é natural da Eslováquia e foi considerada uma das cúmplices nomeados no acordo no acordo de 2008 no qual Epstein se declarou culpado das acusações de prostituição em vez de tráfico de menores.

Uma carta de 2022 confirma, pela primeira vez, que Marcinko forneceu informações sobre Jeffrey Epstein e sobre a sua cúmplice, Ghislaine Maxwell, entre 2018 e 2022.

A ex-piloto “participou em diversas reuniões telefónica e presenciais com o nosso escritório a respeitos da nossa investigação sobre acusações criminais contra Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell”, escreveu a agente especial da divisão de Exploração Infantil e Tráfico Humano do FBI.

Em troca destas informações, os advogados de Marcinko procuraram a ajuda do FBI e do então presidente Joe Biden para que a mulher pudesse permanecer nos Estados Unidos em 2022, altura em que o visto expirou.

Numa troca de mensagens, a advogada da ex-piloto referiu que Marcinko tinha “cooperado amplamente” e estava a “trabalhar na sua recuperação para deixar tudo para trás”.

“Ela está finalmente a ter uma vida um pouco mais normal. Agradecemos muito a ajuda e apoio”, indicou a advogada num e-mail para um agente do FBI.

Por seu turno, o FBI considerou que a eslovaca era também um vítima de tráfico humano por parte de Jeffrey Epstein, explicando, através de uma carta aos serviços de imigração, que a jovem não poderia regressar ao seu país natal por causa de possíveis represálias que poderia sofrer por ter falado com as autoridades.

Nadia Marcinko terá sido levada para os Estados Unidos no início dos anos 2000, tendo obtido um visto através da agência de modelos de Jean-Luc Brunel, um associado de Epstein.

Em e-mails agora divulgados com Epstein, Marcinko revelou ter começado a ter relações sexuais com o magnata norte-americano em 2003, quando tinha 18 anos. Estes documentos retratam um relacionamento manipulador entre a então jovem e empresário.

Epstein escreve em e-mails, citados pelo The New York Post: “Tu dizes-me que vais dançar e não danças. Dizes que vais fazer coisas divertidas na cama e não fazes. Em vez de dizeres ‘Jeffrey, não quero dançar, mas amo-te e vou tentar’ para que haja um esforço, só dizes ‘não, não, não”.

Os registos mostram ainda que a eslovaca terá tentado deixar Jeffrey Epstein em 2010. “Eu queria ter uma vida contigo. Tinha o resto da minha vida planeada contigo e estava totalmente envolvida no nosso relacionamento. Era uma fantasia e não conseguimos dar certo. Sinto-me mal só de pensar no meu futuro contigo a despedaçar-se”, escreveu Nadia Marcinko.

No entanto, os dois continuaram a manter contacto e foi nessa altura que Nadia Marcinko tirou a licença de piloto, tendo começado a pilotar o avião privado do magnata, o Lolita Express.

Mais tarde, a jovem viria a abrir uma empresa de aviação, a Aviloop, com o apoio financeiro de Jeffrey Epstein.

Segundo os documentos, Marcinko e Epstein deixaram de falar a partir de 2018, o mesmo ano em que surgem as primeiras conversas entre a eslovaca e as autoridades federais.